'Ruas vazias, comércio fechado, aulas suspensas': brasileiro no Catar vive incerteza da volta para casa
03/03/2026
(Foto: Reprodução) Israel autoriza avanço do exército por terra no Líbano
De férias no Catar, o empresário Rodrigo Kremer, de 45 anos, e a esposa estão impedidos de voltar ao Brasil em meio à escalada de tensões no Oriente Médio. A situação do casal, que teve o voo de volta cancelado no domingo (1º), se agravou na madrugada desta terça-feira (3) com atividades militares próximas à capital Doha.
Por volta das 2h (20h de segunda no horário de Brasília), Kremer relatou ter ouvido novamente mísseis sendo interceptados no céu. O casal mora em Florianópolis e não tem previsão de quando conseguirá retornar ao país.
"Estamos a 44 quilômetros da base, muito próximos para este tipo de situação. Espaço aéreo está fechado, sem previsão de abertura, cidade está como vivemos a pandemia. Ruas vazias, comércio fechado, aulas suspensas", disse.
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Padre com 16 catarinenses em peregrinação cruza fronteira de Israel e Egito após bombardeios
Imagem do Catar nesta terça-feira da janela de prédio onde está brasileiro e localização próxima à base militar
Reprodução/Arquivo Pessoal
A escalada da tensão no Oriente Médio iniciou no sábado (28), após um ataque promovido por EUA e Israel ao Irã. Como resposta, o país disparou mísseis e atacou bases norte-americanas, caso do Catar, dos Emirados Árabes e do Kuwait.
"Esta noite não registrei [imagens], pois minha esposa fica muito nervosa ao ouvir. Trocamos para um quarto com menos janelas, não virado para a região da base militar", disse.
O casal entrou em contato com o consulado brasileiro e aguarda orientações sobre os próximos passos. “Hoje [terça] seria aniversário de meu pai. Tinha programado o retorno para passar essa data com ele, mas infelizmente não será possível”, relatou.
Além de estar em contato com o governo brasileiro, eles também recebem alerta pelo celular com orientações para evitar áreas próximas a instalações militares.
“No interesse da segurança pública, pedimos a todos que fiquem longe das imediações de locais militares e permaneçam nos edifícios, seja em casa ou em outro lugar, e não saiam ou se movam, exceto em caso de extrema necessidade, para evitar a exposição a quaisquer perigos”, diz o comunicado em árabe (imagem abaixo).
Brasileiro relata bombardeio em Abu Dhabi
Imagem recebida por brasileiro impedido de voltar ao país após voos cancelados no Catar
Reprodução/Arquivo Pessoal
Guerra EUA e Israel x Irã
Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã de sábado (28), deflagrando uma guerra entre os três países. Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas.
Os bombardeios mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e outros membros de alto escalão da cúpula militar e de governo iraniano. Ao todo, 555 pessoas foram mortas desde o início dos ataques ao país, afirmou a organização humanitária Crescente Vermelho do Irã em atualização nesta segunda-feira (2)
Em resposta aos ataques dos EUA e de Israel, o Irã disparou mísseis contra o território israelense e contra bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Essa troca de ataques continua desde então, com bombardeios diários contra Israel e Irã, sendo presenciados em outros países da região.
Os EUA informaram no domingo que três militares do país foram mortos desde o início da guerra, e Trump prometeu "vingá-los".
"Infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas que travam uma guerra, basicamente, contra a civilização", afirmou o presidente dos EUA no domingo.
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